Tuesday, September 05, 2006

Voz do Deserto

O que me levou a querer ter um blogue foi a descoberta da Coluna Infame nos finais de 2002. A Coluna Infame juntava o Pedro Mexia, o Pedro Lomba e o João Pereira Coutinho e embora tenha terminado em 2003 será sempre o blogue da minha vida. Tentei sozinho fazer uma coisa parecida. Quis a Providência conceder-me a bênção de ganhar alguns leitores logo no início da Voz do Deserto (ainda havia poucos blogues e era fácil chegar e dar nas vistas). O deslumbramento de me saber lido por gente que admirava subiu-me à cabeça. Escrevia qualquer coisa e tentava espetar pedras na cabeça de qualquer Golias. Com o tempo optei pelo registo de diário pessoal e fui abandonando o comentário à actualidade (entre a actualidade e a nossa vida íntima o que merecerá mais atenção?). A verdade escandalosa é que me sabe bem saber que há quem perca tempo comigo. E enquanto não abandonar essa vaidade o blogue continuará.


Tiago Cavaco

Thursday, August 31, 2006

Bolila

O Meu Blogue Bolila comecou por impulso graças ao empurrão de uma amiga minha à cerca de um ano atrás. "Fazes tantos desenhos giros devias ter um blogue para as pessoas verem as tuas coisas", e assim foi.... A ideia inicial era simplesmente a de expor desenhos, sem textos, porque eu não sou uma pessoa de grandes palavras... eu sou mais bonecos! Apesar da minha profissão (designer gráfico) estar relacionada com criatividade, esta fica muitas vezes reservada para projectos pessoais, daí o blogue, como escape criativo para os trabalhos menos interessantes do dia-a-dia. Um espaço onde eu posso ultrapassar os limites legais e do bom senso com sentido de humor de uma forma visual. E foi assim, posts para os amigos e conhecidos que foram passando a palavra aos amigos dos amigos, com e sem blogues... Só depois comecei a explorar melhor a blogoesfera e as pessoas começaram a comentar e a comentar nos blogues delas... mas não sou pessoa que saiba fomentar muito bem estas relações online. Poderia ser vantajoso mas não sou a melhor pessoa para conversar via blogue. Recentemente tenho participado num site www.illustrationfriday.com que todas as semanas lança um tema e que segundo o qual ilustradores de todo o mundo fazem a sua participação. Este experiência tem sido interessante porque consigo ter opinião do meu trabalho e para além disso conhecer trabalhos de outros ilustradores que de outra maneira seria impossível. Entretanto surgiu a oportunidade de começar a vender alguns quadros com os meus desenhos. Já fiz, por exemplo, uma exposição em Fevereiro (até Junho) deste ano. Tenho outros projectos para continuar a desenvolver relacionados com o blogue como ilustrar livros ou participar noutras exposicões. Mas estou a espera do inverno... porque isto de hobby no Verão é mais difícil. Com o calor, apetece é estar na rua.

ChicoBolila

Tuesday, August 29, 2006

Katxinhastuff

O meu blogue segue um registo de diário pessoal. Não tenciona ser um lugar para grandes reflexões, mas apenas uma forma de registo de peripécias do meu dia-a-dia e uma forma de entretenimento para mim e para outros bloguers (www.katxinhastuff.blogspot.com).
Tomei contacto a sério com o mundo dos blogues, a partir de pessoas amigas que me perguntavam: “Já conheces o blogue do não sei quantos…”, ao que eu respondia que não. A curiosidade no entanto é um dos meus defeitos/qualidades e pus-me a pesquisar. Descobri então que a blogoesfera é um local de muitos e diferentes registos, que nos permitem entrar na vida, pensamentos e trabalhos de várias pessoas. Gostei do conceito. Entrei em vários blogues. Gravei alguns na pasta dos favoritos, e passei a visitá-los praticamente todos os dias. Demorou um pouco até decidir criar o meu próprio espaço. Tinha dúvidas em relação se teria alguma coisa de interessante para escrever, relatar e partilhar, contudo cheguei à conclusão que esta era mais uma forma de comunicar, de contactar e de ser contactada por outras pessoas.
O blogue é ainda recente e, portanto, tem pouco leitores. No entanto, o contacto com outros bloguers teve já lugar. A maioria são amigos, também adeptos deste mundo, mas o contacto e os comentários de e com outras pessoas não conhecidas fisicamente (apenas virtualmente) já começou. Esperam-se avanços nos próximos tempos.

Monday, August 21, 2006

PreDatado

1 . O nascimento
O PreDatado é um blog que nasce quase como um filho não planeado. Um acidente no DIU, um preservativo com defeito, um cálculo do ciclo menstrual mal efectuado… Depois de gerado nada há para lamentar. Há que acarinhá-lo, alimentá-lo e ajudá-lo a crescer. Assim foi gerado o PreDatado. Um acaso sem objectivos.

2. O crescimento
Mas ao menino começam-se a dar-lhe mimos e ele envaidece-se. E faz gracinhas e vêm os amigos e tiram fotos e acham piada ao que o menino faz. Mas aos poucos o menino cresce e começa a perceber que a sua necessidade de comunicar com o “público” não pode passar apenas pelas graçolas. Há que mostrar que se amadureceu. Vai daí, o PreDatado, sem perder a sua identidade começa também a comunicar pela via séria. Tira da gaveta aquilo que escreve e selecciona o que quer partilhar. Tira do mundo o que o mundo dá e faz análise, ou glosa, ou faz ambas as coisas. È noticioso e também é crítico. È irónico quando a ironia lhe parece ser o melhor meio de dizer as coisas. É interactivo quando o seu público decide interagir com ele. É polémico quando acha que o deve ser e entristece-se, até, quando pensa que deveria gerar mais contraditório. E é intimista quando quer falar com ele próprio e ao mesmo tempo mostrar ao seu próprio espelho que não há duas imagens exactamente iguais. É para isto e pouco mais que o Pré tem um blog.

3. A velhice presumida
O PreDatado fará 3 anos de edição em Outubro. É um blog que se começa a presumir velho, se se atender ao tempo médio de vida de um blog. E de facto tem vezes que o PreDatado perde a pujança como se estivesse na andropausa ou pior ainda como se estivesse a necessitar de Viagra para ganhar força. Outras vezes debita textos atrás de textos como se o mundo (leia-se blogosfera) fosse acabar amanhã. Tal qual os velhotes que já não dormem muito porque para dormir não lhes faltará tempo. De facto o Pré começa a achar que o PreDatado está a precisar de descobrir o elixir da juventude. Ou então, não.

4. A morte anunciada
Mais certa que a morte não há nada. É uma frase batida mas é tão certa como a morte. Um dia virá que o PreDatado baterá a bota. Depois cabe ao Pré decidir se ressuscita (não necessita de ser em 3 dias) ou se se esconderá nas catacumbas do Google. Mas um blog não dura sempre, lá isso não.

Vítor Fernandes

Sunday, August 20, 2006

Almardente

Que razões levam alguém a querer iniciar e manter um blog? Notoriedade? Auto-satisfação? O prazer despretencioso de partilhar com os outros o que quer que lhe vá na alma? O viperismo de dar com a língua nos dentes acerca das podridões alheias?
Eu digo que todas estas razões são válidas e cada um sabe de si.
Mas o que me levou a mim a editar um blog?
Bem, na realidade, tudo começou por ser uma reacção espontânea a um desgosto amoroso. Não daqueles que pululam nos Morangos com Açúcar, mas dos sérios, de gente crescida. Foi uma grande perda, a que senti (e penso que muitos sabem o que se sente nessas situações). Foi uma chapada dolorosa seguida de uma sensação de vazio, que precisava de um exorcismo criativo. Amigo da escrita desde criança, decidi-me a explorar o mundo dos blogs. Comecei por ler alguns de que gostei muito e acabei por criar o meu próprio blog. Quis fazer dele algo diferente, não um diário, não um manifesto ou uma exposição de opinião quotidiana nem política. Blogs desses havia muitos com fartura. Assim criei um blog de “coisas”. Coisas de que gosto, coisas que me prendem a atenção, coisas que me fazem parar e sorrir ou reflectir sobre elas. Coisas que me deslumbram, coisas que de alguma maneira me cativam. De filmes e música a fotografias, receitas culinárias e reflexões de vida, tudo se pode encontrar no meu blog. Escrevo sobre o amor tal como posso descrever uma viagem a África ou mostrar umas fotos de carros e motas. Mas porquê a publicação em blog? Podia muito simplesmente fazer uma compilação de tudo no meu disco rígido e imprimir, como se fosse um albúm. E é aí que entra a vaidade do artista. Porque isto de publicar seja o que for, acarreta sempre uma ponta de vaidade e desejo de aceitação. Como tal, também eu busquei o meu espaço público, os meus leitores, para me sentir como parte integrante desta grande aldeia global. No fundo, no fundo, penso que é uma forma de nos darmos a conhecer, esperando que alguém beneficie com isso, que partilhe dos nossos sentimentos, dos nossos gostos. Nenhum homem é uma ilha isolada e a socialização, nos tempo que correm, é feita também através dos blogs.
Quanto à manutenção do blog, é feita quando há tempo e inspiração. Posso escrever várias vezes por dia, assim como se podem passar semanas ou meses sem colocar nada de novo. É uma coisa que não me apoquenta. Essa é uma vantagem de não ser um diário nem um modo de publicação de artigos de opinião. Isso eu deixo para os pseudo-intelectuais.
Em relação aos blogs dos outros e a forma como interajo com eles, uma coisa é certa logo à partida: posso gostar ou não dos vários que vou apreciando na blogosfera, mas nunca os menosprezo. Às vezes faço comentários, quando sinto que tenho algo a acrescentar, mas na maioria das vezes limito-me a ver. E tenho sempre presente, quando navego de blog em blog, que os há para todos os gostos.
Posto isto e sabendo que uns vão gostar e outros não, convido-vos a dar uma espreitadela em http://www.almardente.blogspot.com/


Miguel Camões – “mêcê”

Thursday, August 17, 2006

Chapelaria Janota

Pedem-me para dar o meu testemunho, enquanto blogger, sobre as razões que me levaram a criar o meu blogue, a mantê-lo, bem como falar das relações que se criam, recriam e se mantêm com os outros bloggers e leitores da minha Chapelaria Janota. Antes de tudo, penso que é importante perceber que um blogue é um meio para se ser “ouvido” sem, necessariamente, ter que se pagar a uma editora. Este facto faz com que um blogue deixe de ser apenas um diário ou um caderno para o qual se debitam linhas e temas de interesse pessoal e que, posteriormente, ou se guarda numa gaveta ou, num momento mais feliz, se consegue forçar o nosso melhor amigo ou familiar a ouvir-nos (porque a necessidade de protagonismo, quando acreditamos ter escrito algo de interesse ou não, existe mesmo!). Um blogue é, muito por isto, mais interessante. Obriga-nos à conquista de vários públicos, queremos ter leitores, queremos conquistar os bloggers conceituados na blogosfera e aos quais, nós próprios, lhes reconhecemos valor. Desta forma, a acção criadora de um blogue não se reveste, então, de nenhum tipo de sentimento altruísta. Depois de conquistados, esses públicos merecem todo o nosso respeito e desenvolvemos uma espécie de responsabilidade para com eles. É este facto que nos leva, e a mim muito em especial, a manter um blogue actualizado. Torna-se, assim, uma coisa séria, mas ao mesmo tempo muitíssimo divertida. Divertida porquê? Porque um blogue, esse canto dessa sociedade virtual, é alimentado por alguém que assume e desempenha um papel específico, criado a seu bel prazer, para impressionar os seus públicos. No meu exemplo, conquistar um leitor, um leitor que seja, é uma importante vitória de blogosferical girl! Eu escrevo para os outros, para ser lida, para conquistar as atenções de quem não me conhece e valorizar a minha imagem junto de quem me conhece.
Os posts vieram dar novos contornos às crónicas dos jornais e a blogosfera oferece muito mais variedade ao tipo de público que procura esse formato. Obviamente, a blogosfera, enquanto sociedade que é, denuncía uma hierarqia de classes, interessantíssima de perceber. Há os blogues aos quais todos os bloggers desejam ser adicionados, ou, em linguagem blogosférica, “linkados”...dá-lhes status social, pois. E são, então, esses blogues, dessa classe alta da blogosfera, que merecem ser comentados, por forma a receber-se algum tipo de atenção ou reconhecimento. Existe, aqui, uma troca: “Eu aprecio o que escreves, estou atento, dá-me, por isso, um lugar ao sol! Torna-me importante, reconhece-me valor, vá!”. Este tipo de fenómeno revela o processo mais primário de comportamentos em sociedade, mas a um nível virtual. E quais são os blogues conceituados? Os que vendem ou venderão! Os que passam das crónicas aos livros...ou pelo menos, os que se adivinha que tomarão esse rumo. Tratam-se, então, das novas “Causas das Coisas”, desses Miguéis Esteves Cardoso. São esses que devemos bajular! Eheheh!Contudo, não devemos esquecer que criar, escrever e manter actualizado um blogue, exige certa dedicação e exige um conhecimento permanente sobre o que se passa nessa blogosfera...se é que o objectivo é ser notado, numa dose mais ou menos polémica, e nem sempre há disponibilidade para isso. Resumindo, manter um blogue actualizado é um hobbie que dá trabalho...daí o meu canto andar um bocadinho largado ao vento!

Teresa Rosado

Primeiro Post

O Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa organiza, desde há três anos, um estágio de ocupação científica das férias para alunos do Ensino Secundário. Com o objectivo de dar a experimentar a investigação nas Ciências Sociais, criou-se o programa «As Artes do Ofício: ser investigador em Ciências Sociais». Este ano decidimos, o João Pato e eu, propor uma semana dedicada a explorar sociologicamente o mundo dos blogues. Nada melhor do que começar criando um. Aqui pretendemos dar voz a bloggers que queiram partilhar connosco as suas impressões sobre o que é e o que os leva a ter um blogue. Estes textos servirão para os nossos dez jovens analisarem e aplicarem algumas técnicas e conceitos que vamos tentar transmitir. Do resultado daremos conta oportunamente.Posto isto, declaro aberta a sessão!