Pedem-me para dar o meu testemunho, enquanto blogger, sobre as razões que me levaram a criar o meu blogue, a mantê-lo, bem como falar das relações que se criam, recriam e se mantêm com os outros bloggers e leitores da minha
Chapelaria Janota. Antes de tudo, penso que é importante perceber que um blogue é um meio para se ser “ouvido” sem, necessariamente, ter que se pagar a uma editora. Este facto faz com que um blogue deixe de ser apenas um diário ou um caderno para o qual se debitam linhas e temas de interesse pessoal e que, posteriormente, ou se guarda numa gaveta ou, num momento mais feliz, se consegue forçar o nosso melhor amigo ou familiar a ouvir-nos (porque a necessidade de protagonismo, quando acreditamos ter escrito algo de interesse ou não, existe mesmo!). Um blogue é, muito por isto, mais interessante. Obriga-nos à conquista de vários públicos, queremos ter leitores, queremos conquistar os bloggers conceituados na blogosfera e aos quais, nós próprios, lhes reconhecemos valor. Desta forma, a acção criadora de um blogue não se reveste, então, de nenhum tipo de sentimento altruísta. Depois de conquistados, esses públicos merecem todo o nosso respeito e desenvolvemos uma espécie de responsabilidade para com eles. É este facto que nos leva, e a mim muito em especial, a manter um blogue actualizado. Torna-se, assim, uma coisa séria, mas ao mesmo tempo muitíssimo divertida. Divertida porquê? Porque um blogue, esse canto dessa sociedade virtual, é alimentado por alguém que assume e desempenha um papel específico, criado a seu bel prazer, para impressionar os seus públicos. No meu exemplo, conquistar um leitor, um leitor que seja, é uma importante vitória de blogosferical girl! Eu escrevo para os outros, para ser lida, para conquistar as atenções de quem não me conhece e valorizar a minha imagem junto de quem me conhece.
Os posts vieram dar novos contornos às crónicas dos jornais e a blogosfera oferece muito mais variedade ao tipo de público que procura esse formato. Obviamente, a blogosfera, enquanto sociedade que é, denuncía uma hierarqia de classes, interessantíssima de perceber. Há os blogues aos quais todos os bloggers desejam ser adicionados, ou, em linguagem blogosférica, “linkados”...dá-lhes status social, pois. E são, então, esses blogues, dessa classe alta da blogosfera, que merecem ser comentados, por forma a receber-se algum tipo de atenção ou reconhecimento. Existe, aqui, uma troca: “Eu aprecio o que escreves, estou atento, dá-me, por isso, um lugar ao sol! Torna-me importante, reconhece-me valor, vá!”. Este tipo de fenómeno revela o processo mais primário de comportamentos em sociedade, mas a um nível virtual. E quais são os blogues conceituados? Os que vendem ou venderão! Os que passam das crónicas aos livros...ou pelo menos, os que se adivinha que tomarão esse rumo. Tratam-se, então, das novas “Causas das Coisas”, desses Miguéis Esteves Cardoso. São esses que devemos bajular! Eheheh!Contudo, não devemos esquecer que criar, escrever e manter actualizado um blogue, exige certa dedicação e exige um conhecimento permanente sobre o que se passa nessa blogosfera...se é que o objectivo é ser notado, numa dose mais ou menos polémica, e nem sempre há disponibilidade para isso. Resumindo, manter um blogue actualizado é um hobbie que dá trabalho...daí o meu canto andar um bocadinho largado ao vento!
Teresa Rosado